IA para advogados, no atendimento, serve para apoiar a recepção: responder as primeiras dúvidas, fazer as perguntas de triagem e encaminhar a conversa para um profissional. Ela não faz a atuação jurídica e não decide pelo advogado.

Abaixo estão o que a IA faz bem, o que não delegar e o que a OAB e a LGPD pedem.

O que a IA pode fazer no atendimento de um escritório de advocacia?

No atendimento, a IA pode receber o contato, fazer as perguntas iniciais que o escritório definiu, registrar as respostas e transferir a conversa para uma pessoa. Também pode resumir a conversa em uma anotação e retomar contatos que deixaram de responder.

  • recepção fora do horário comercial;
  • perguntas iniciais de triagem, com as regras do escritório;
  • coleta de dados e documentos;
  • resumo da conversa para quem assume o atendimento;
  • follow-up quando o contato deixa de responder;
  • transcrição de áudios recebidos no fluxo de IA.

O que não delegar à IA?

A atuação jurídica continua com o advogado. A Recomendação 001/2024 do Conselho Federal da OAB diz que o julgamento profissional não deve ser feito por sistemas de IA generativa sem supervisão humana, que nenhuma atividade privativa da advocacia deve ser delegada ao sistema e que a dependência excessiva de ferramentas de IA é inconsistente com a prática da advocacia (itens 3.1 e 3.3).

  • análise do caso e orientação jurídica;
  • elaboração de peças e pareceres;
  • decisão de aceitar ou não o caso;
  • fixação e discussão de honorários;
  • respostas a situações sensíveis ou urgentes.

Que regras da OAB valem para o atendimento com IA?

O Anexo Único do Provimento 205/2021 permite o chatbot para facilitar a comunicação ou melhorar a prestação de serviços jurídicos, desde que não afaste a pessoalidade da prestação do serviço nem suprima a imagem, o poder decisório e as responsabilidades do profissional. O texto cita como exemplos responder às primeiras dúvidas de um potencial cliente, encaminhar as primeiras informações sobre a atuação do escritório e coletar dados, informações ou documentos.

A Recomendação n. 001/2024 do Conselho Federal da OAB orienta que o uso de chatbots informe de forma transparente que se trata de uma máquina (item 2.4) e que a comunicação com o cliente não seja feita apenas por conteúdo gerado por IA, resguardado o direito de falar com um ser humano mediante solicitação (item 4.3). É uma recomendação, e não um provimento, e vale como referência de conduta.

A Recomendação também orienta que o advogado que optar por IA compreenda razoavelmente como a tecnologia funciona, suas limitações e os termos de uso do fornecedor (item 3.4), e que sócios garantam políticas claras sobre o uso de IA no escritório (item 3.6).

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Que cuidados com dados a IA exige?

A conversa com a IA envolve dados pessoais. A LGPD exige base legal para o tratamento (art. 7º), e dados de saúde são sensíveis (art. 5º, II). A Recomendação 001/2024 pede atenção especial ao inserir dados que possam tornar o cliente identificável (item 2.1) e observância da LGPD antes de inserir dados confidenciais em ferramentas de IA (item 2.5).

  • peça na triagem só o necessário;
  • evite pedir laudos e detalhes íntimos antes da consulta;
  • informe a finalidade e use o aviso de privacidade do formulário;
  • defina quem acessa as conversas.

Como implantar IA no atendimento do escritório?

  1. liste as perguntas de triagem de cada área de atuação;
  2. defina o que a IA nunca responde e quando transfere para uma pessoa;
  3. escreva as instruções do agente e teste antes de ligar;
  4. avise na primeira mensagem que se trata de um assistente virtual;
  5. revise as conversas nas primeiras semanas;
  6. ajuste as instruções com o que a equipe observar.

Quais indicadores acompanhar no atendimento com IA?

  • tempo até a primeira resposta;
  • contatos que completam a triagem;
  • conversas transferidas para uma pessoa;
  • contatos que avançam para consulta;
  • reclamações ou respostas incorretas identificadas na revisão.

Como usar IA para advogados no atendimento?

Use a IA na recepção e na triagem, com perguntas definidas pelo escritório, aviso de que é uma máquina, transferência fácil para uma pessoa e revisão das conversas. Deixe a atuação jurídica com o advogado e trate os dados dos contatos com cuidado.

Na Primoria, conectamos captação, CRM, atendimento por WhatsApp, inteligência artificial e dados, com o IziLeads, para ajudar escritórios de advocacia a organizar o caminho do primeiro contato até a consulta.

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Perguntas frequentes

Advogado pode usar IA no atendimento?

O Anexo Único do Provimento 205/2021 permite o chatbot para facilitar a comunicação, sem afastar a pessoalidade do serviço. A Recomendação 001/2024 do CFOAB orienta transparência e direito de falar com uma pessoa.

A IA pode responder dúvidas jurídicas do cliente?

O chatbot não deve realizar atividades privativas da advocacia, segundo a Recomendação 001/2024. Na recepção, o uso se limita a primeiras informações, coleta de dados e encaminhamento.

Preciso avisar que é uma IA?

Sim, é a orientação da OAB: informar de forma transparente ao interlocutor que se trata de uma máquina (item 2.4 da Recomendação 001/2024).

A IA do IziLeads fala com todo mundo?

Ela atua nas conversas dos canais conectados em que o agente está ativo, conforme as instruções do escritório. Quando uma pessoa responde manualmente, o agente pode deixar de responder naquele contato.

Posso colocar dados do cliente em qualquer ferramenta de IA?

Não. A Recomendação 001/2024 pede atenção à confidencialidade, diligência na escolha do fornecedor e observância da LGPD antes de inserir dados confidenciais.

Fontes verificadas

  • Conselho Federal da OAB, "Recomendação n. 001/2024" sobre o uso de IA generativa na prática jurídica, aprovada em 11/11/2024 - oab.org.br
  • Conselho Federal da OAB, "Provimento n. 205/2021", 15/07/2021 (DEOAB 21/07/2021) - texto oficial
  • Presidência da República, "Lei n. 13.709/2018 (LGPD)", arts. 5º, II, 7º e 8º - planalto.gov.br